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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
Será mesmo possível viver sem dinheiro? Conheça o caso de Mark Boyle, fundador de Freeconomy.

 

 

Desconfiamos que não.

E por isso entrevistámos Mark Boyle.

A conclusão: viver sem dinheiro afinal é possível. Pelo menos para este autor, economista e ex-empresário que optou pelo “back to basics”.

 

 

 

 

Será que viver sem dinheiro é possível?

Conheça o caso de Mark Boyle, fundador de Freeconomy

Manuel Forjaz é o convidado da "Ideias em Estante"

 

 

 

Será que é possível viver sem dinheiro neste mundo consumista onde tudo (ou quase tudo) parece ter um preço? Não parece real que alguém viva sem dinheiro . "Isso é impossível" dirá o leitor mais céptico. O certo é que Mark Boyle , economista e antigo empresário, vive há três anos " sem ver a cor do dinheiro ."

Foi uma opção. Estudada. Dia 29 de Novembro de 2008, Mark Boyle virou costas aos hábitos de vida dos nossos dias e embarcou numa viagem comandada pela auto-suficiência, pelas trocas directas, pela casa de banho de compostagem, pela pasta de dentes de choco e por um mundo de iguarias sazonais onde até a solidão foi (recentemente) trocada pela companhia de quem partilha o mesmo estilo de vida. Ao estilo "amor e uma caravana", Boyle vive numa quinta em Bristol, Inglaterra, sem mexer num tostão.

 

Porquê sem dinheiro?

"O dinheiro é um pouco de amor. Passamos toda a nossa vida atrás dele, contudo, apenas alguns de nós compreendem o que ele é realmente". É nestes termos que Boyle justifica a sua opção. E responde depois à questão que se impõe: é difícil?

"Percorrer o caminho de uma vida sem dinheiro é como percorrer uma floresta virgem a meio da noite sem lanterna. (…) Não fazemos ideia do que está à nossa frente ou o quanto devemos caminhar. Todavia caminhamos. Inevitavelmente, tropeçamos, caímos, magoamo-nos, mas levantamo-nos de novo. (…)" escreve Boyle em "O Homem sem Dinheiro ", obra recém lançada em Portugal. Segundo o autor, o livro "é um esboço do mapa da floresta. A vida sem dinheiro é uma aventura. E, tal como qualquer aventura, é preciso, de tempos a tempos, deixar o mapa de lado e ver onde o caminho vai dar", diz.

Fundador do Freeconomy, movimento que ajuda as pessoas a relacionarem-se nas comunidades locais através do simples acto de partilha, Boyle tem cada vez mais seguidores por todo o mundo. Só na sua página na web (justfortheloveofit.org) são mais de 30 mil.

Sempre com um grande sentido de humor, Mark Boyle participou via telefónica no programa do ETV "Ideias em Estante" dedicado ao tema "Vida: Como nos podemos reinventar". O convidado foi Manuel Forjaz, consultor e amigo do autor (fomos nós que telefonamos; o autor tem telefone apenas para receber chamadas; carrega-o com luz solar).

Confessando que "nunca foi mais feliz", Mark Boyle não nega que sente falta de algumas coisas que o mundo do dinheiro lhe proporcionava. "Ir até a um 'pub'" é algo de que este Irlandês sente falta!"

Apesar do seu caso não ser novo, o lançamento do seu livro este mês em Portugal e a conjuntura económica e ambiental do mundo levam a pensar no tema.

 

Pensamentos Finais

"Estamos num ponto crucial da história. Não podemos ter carros velozes, computadores do tamanho de cartões de crédito e outros aparelhos modernos e em simultâneo dispor de ar puro, florestas abundantes, água potável fresca e um clima estável. Esta geração pode ter uma coisa ou outra, mas não ambas. A humanidade tem de fazer uma escolha. Ambas têm um preço. Parafernália ou natureza? Se se fizer a escolha errada, a próxima geração pode vir a não ter escolha", pode ler-se no livro de Boyle .

Mark Boyle , fundador da Freeconomy e autor de "O homem sem dinheiro ", livro que chega agora a Portugal Vive sem dinheiro . Consome o que produz e o que consegue "trocar". Licenciado em Economia, este antigo empresário inspira cada vez mais jovens. O seu 'website' (justfortheloveofit.org) tem mais de 30 mil membros.

(Texto publicado no Diário Económico dia 10/0

 

 

 

 

 

Este post também foi publicado no blog:www.livrosemanias.blogs.sapo.pt

publicado por Mafalda Avelar às 15:14
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