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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2012
Sugestões de livros para este Natal

Sugestões de livros de economia para este Natal

 

O ´MOMENTUM´ APELA À ECONOMIA E OS AUTORES DESTA CIÊNCIA CONCORREM COM A FICÇÃO. OU NÃO FOSSE, ESTE, UM ANO DE CRISE (BEM) REAL!

 

"Acabem com esta crise já!" (Presença), de Paul Krugman é a primeira sugestão de leitura de "livros de Economia" para este Natal. Nesta obra o Nobel da Economia, em 2008, analisa a economia mundial desde a Grande Depressão. O que conclui Krugman? Estamos a esquecer as lições do passado. Défice, inflação, os efeitos da despesa pública e o emprego são as grandes variáveis abordadas nesta obra, que não esquece também os temas do momento: euro e crise da dívida europeia. Em tom exclamativo, ainda que com ideologia económica diferente, Camilo Lourenço escreve "Basta! - como tirar a crise de Portugal" (Matéria Prima). Nesta obra o prisma é nacional. E o olhar crítico é uma viagem, com (bons) gráficos e a cores, que vem desde o passado. Escreve o autor que "Depois de três bancarrotas em 36 anos, caso único na Europa, será que ainda não aprendemos a lição?". De leitura fácil, este livro, a valer pelo Top Económico, já invadiu os lares portugueses.

Ainda no mesmo registo de estudo nacional, "Portugal: Dívida Pública e Défice democrático" (FFMS), de Paulo Trigo Pereira ,é uma excelente escolha que une qualidade com baixo preço. Este livro custa cinco euros mas poderá adquiri-lo no site da Fundação por 3,5 euros.

Igualmente interessante e mantendo "o olhar nacional", o livro "As contas politicamente incorrectas da Economia Portuguesa" (Temas&Debates), de Ricardo Arroja, brilha pelos dados e factos que apresenta.

Mais teórico, "Adam Smith - Uma vida iluminada" (Texto), de Nicholas Phillipson, constitui uma excelente biografia sobre o autor de "A Riqueza das Nações", o reconhecido "fundador da economia moderna".

Ainda no campo biográfico, anote a obra " Steve Jobs"( Objectiva), de Walter Isaacson.

Outras duas obras a reter são: "Keynes/Hayek - O confronto que definiu a economia moderna", um livro que aborda a questão teórica de fundo do mundo da economia; e, o polémico livro de Marc Roche "O Banco - Como a Goldman Sachs dirige o Mundo", obra esta que é recordista de vendas. E de méritos. Esta obra venceu o prémio de Livro de Economia 2010, atribuído pela Associação de Jornalistas Económicos e Financeiros de França.

Também premiado e depois de já lhe terem sido atribuidos dois Pulizter, Steve Coll, ganhou o galardão da melhor obra de economia e gestão atribuído pelo Financial Times e pela Goldman Sachs ( sim, a entidade que é alvo do polémico livro de Marc Roche). "Private Empire - ExxonMobil e o poder americano" é a obra vencedora.

Se quer voltar ao domínio nacional e se quer ganhar " conhecimento estratégico" , não deixe de ler "Potencial Económico da Língua Portuguesa" (Texto), de Luís Reto. Leia ainda, no mesmo registo de "interesse", "Lisboa, os Açores e a América" (Almedina), de José Filipe Pinto. O que fica a faltar? Um livro sobre as privatizações. Para já, nesse domínio, remeto -me ao "Silêncio - o poder dos introvertidos num mundo que não para de falar" (Temas &Debates), de Susan Cain. Boas Festas!

( Data: 21/12/2012/ DIÁRIO ECONÓMICO/Autor: MAFALDA DE AVELAR)

 

 

 

TOP ECONÓMICO

 

1. Basta!

Camilo Lourenço/ Matéria Prima

 

2. O Banco - como a Goldman Sachs dirige o Mundo

Marc Roche/Esfera dos Livros

 

3. Ganhar com as apostas desportivas

Marcador/Paulo Rebelo

 

4. As Contas Politicamente Incorrectas da Economia Portuguesa

Ricardo Arroja/ Guerra&Paz

 

5. Estou Desempregada. E agora?

Jacqueline Silva/Prime Books

 

6. Acabem com esta crise, já!

Paul Krugman/Presença

 

7. Keynes/Hayek

Nicholas Wapshott/Dom Quixote

 

8. Resgatados

David Dinis e Hugo Filipe Coelho/Esfera dos Livros

 

9. O Livro das Decisões

Mikael Krogerus/Marcador

 

10. Código Mourinho

Juan Carlos Cubeiro/Planeta Manuscrito

 

 

 

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publicado por Mafalda Avelar às 20:14
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Sete perguntas a Nuno Camarneiro, vencedor do "LeYa"

 

 

Qual o significado deste prémio (leYa) na sua carreira?

É um grande motivo de orgulho, sobretudo por saber que o prémio é atribuído sem que se conheçam os nomes dos autores e, como tal, baseado apenas nos méritos do romance.

 

Tem uma carreira “multifacetada”. Em que é que isso ajuda “na arte da escrita”?

Todas as experiências que temos podem ser úteis e podem ser transformadas em literatura. A ciência deu-me boas ferramentas de análise e a arte de fazer perguntas, a escrita agradece.

 

Considera-se um homem prático?

Tento não tornar a vida mais complicada do que ela já é, mas nem sempre sou o “Nuno engenheiro”. Felizmente tenho familiares e amigos que sabem chamar-me à razão.

 

Quem são os autores que mais o influenciam?

São muitos e variados. Leio de tudo, dos clássicos aos contemporâneos, portugueses, europeus e americanos. Vou-me apaixonando por autores e por vezes leio a obra completa antes de passar ao próximo.

 

Na área económica, alguma obra a destacar? E alguma mensagem sobre “o estado do país?”

Confesso que não costumo ler livros sobre economia, mas as grandes obras dão-nos com frequência uma perspectiva dos grandes movimentos sociais e económicos. Talvez os políticos e os decisores devessem ler mais e melhor ficção para saberem interpretar a realidade.

 

Já ganhou muitos prémios e /ou bolsas no passado? Se sim, quais?

Foram-me atribuídas algumas bolsas de investigação, aqui em Portugal, em Itália e até uma bolsa europeia (Marie Curie). Este foi o meu segundo prémio literário, depois de ter sido “Monstro do Ano” numa cerimónia bastante ecléctica organizada pelo Fernando Alvim.

 

Quer deixar uma mensagem para os jovens desempregados? Se sim, qual?

Não sou tão arrogante que acredite ter algo de muito significativo a dizer. Dir-lhes-ia o mesmo que digo aos meus amigos que estão nessa situação: arranja um projecto de que gostes e atira-te a ele, é importante que os dias tenham uma direcção.

 

 

Sobre o autor (in Good Readers)

Nuno Camarneiro nasceu em 1977. Natural da Figueira da Foz, licenciou-se em Engenharia Física pela Universidade de Coimbra, onde se dedicou à investigação durante alguns anos.

Foi membro do GEFAC (Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra) e do grupo musical Diabo a Sete, tendo ainda integrado a companhia teatral Bonifrates. Trabalhou no CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear) em Genebra e concluiu o doutoramento em Ciência Aplicada ao Património Cultural em Florença.

Em 2010 regressou a Portugal, sendo actualmente investigador na Universidade de Aveiro e professor do curso de Restauro na Universidade Portucalense do Porto. Começou por se dedicar à micronarrativa, tendo alguns dos seus contos sido publicados em colectâneas e revistas. “No Meu Peito não Cabem Pássaros” é a sua estreia no romance.

 

--
Esta entrevista foi anunciada na edição de hoje da "Ideias em Estante", coluna publicada no Diário Económico
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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2012
'A Boneca de Kokoschka' by Afonso Cruz

Afonso Cruz, escritor, músico e realizador, é o vencedor do Prémio da União Europeia de Literatura 2012 com a obra “ A Boneca de Kokoschka” (Quetzal).

 

 

Assista à vídeo-entrevista ao autor.

 

 

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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012
"Today’s challenges go beyond Keynes" by Jeffrey Sachs

"A different kind of growth path is required", says Jeffrey Sachs in FT.

 

Leia aqui NO FT:

 

Deixo-vos os parágrafos mais importantes:

a)

 

"The rebound of Keynesianism, led in the US by Lawrence Summers, the former Treasury secretary, Paul Krugman, the economist-columnist, and the US Federal Reserve chairman Ben Bernanke, came with the belief that short-term fiscal and monetary expansion was needed to offset the collapse of the housing market."

 

b)

 

"The crisis in southern Europe is often claimed by Keynesians to be the consequence of fiscal austerity, yet its primary cause is the countries’ and eurozone’s unresolved banking crises. And the UK’s slowdown has more to do with the eurozone crisis, declining North Sea oil and the inevitable contraction of the banking sector, than multiyear moves towards budget balance."

 

c)

 

"There are three more reasons to doubt the Keynesian view."

 

d)

"First, the fiscal expansion has been mostly in the form of temporary tax cuts and transfer payments. Much of these were probably saved, not spent.

 

Second, the zero interest rate policy has a risk not acknowledged by the Fed: the creation of another bubble. The Fed has failed to appreciate that the 2008 bubble was partly caused by its own easy liquidity policies in the preceding six years. Friedrich Hayek was prescient: a surge of excessive liquidity can misdirect investments that lead to boom followed by bust.

 

Third, our real challenge was not a great depression, as the Keynesians argued, but deep structural change. Keynesians persuaded Washington it was stimulus or bust. This was questionable. There was indeed a brief depression risk in late 2008 and early 2009, but it resulted from the panic after the abrupt and maladroit closure of Lehman Brothers."

 

e)

"When the world is changing rapidly and consequentially, as it is today, it is misguided to expect a “general theory”. As Hayek once recommended to Keynes, we instead need a tract for our times; one that responds to the new challenges posed by globalisation, climate change and information technology."

 

 

Leia ainda, relacionado com este tema, o livro de Nicholas Wapshhott:

  • "Keynes/Hayek - O Confronto de definiu a Economia Moderna" ( D. Quixote).

 

Assista também à entrevista:

  • "Ideias em Estante" a José Silva Lopes ( "Acabem com esta crise já! de Paul Krugman é o livro em análise).

 

 

 

 

 

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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012
Camarneiro vence "LeYa" com "Debaixo de algum céu"

In Press:

 

"O Júri do Prémio Leya reuniu nos dias 13 e 14 de Dezembro, em Alfragide, para deliberar sobre a atribuição do Prémio, a que concorreram este ano mais de 270 originais, apresentados por autores residentes em Angola, Brasil, Canadá, França, Inglaterra, Moçambique e Portugal.

 

O Júri decidiu, por maioria, atribuir o Prémio Leya 2012 ao romance Debaixo de Algum Céu, da autoria de Nuno Camarneiro. O anúncio foi feito hoje, em conferência de imprensa na sede da LeYa, em Alfragide, pelo Presidente do Júri, Manuel Alegre.

 

O Júri apreciou no romance Debaixo de Algum Céu a qualidade literária com que, delimitando intensivamente a figura fulcral do "romance de espaço" e do "romance urbano", faz de um prédio de apartamentos à beira-mar o tecido conjuntivo da vida quotidiana de várias personagens - saídas da gente comum da nossa actualidade, mas também por isso carregadas de potencial significativo.

 

Retrato de uma microsociedade unida pelo espaço em que vivem os personagens, o romance organiza-se a partir de um conjunto de vozes que dão conta de vidas e destinos que o acaso cruzou num período de tempo delimitado entre um Natal e um Fim do Ano. Ouvimos vozes, poemas, ladainhas, canções, que transportam memórias e sentimentos e pontuam os encontros, desencontros e tragédias que de que os moradores só se apercebem quando saem à luz do dia. A escrita é precisa e flui sem ceder à facilidade, mas reflectindo a consciência de um jogo entre o desejo de chegar ao seu destinatário, o leitor, e um recurso mínimo a artifícios retóricos em que só uma sensibilidade poética eleva e salva a banalidade e os limites do quotidiano.

 

O júri destacou nesta obra o domínio e a segurança da escrita, a coerência com que é seguido o projecto, a força no desenho dos personagens e destaca a humanidade subjacente ao que poderá ser lido como uma alegoria do mundo contemporâneo.

 

O júri do Prémio LeYa 2012

 

Manuel Alegre (Presidente)

José Carlos Seabra Pereira

José Castello

Lourenço do Rosário

Nuno Júdice

Pepetela

Rita Chaves

 

Sobre o autor

 

Nuno Camarneiro nasceu em 1977. Natural da Figueira da Foz, licenciou-se em Engenharia Física pela Universidade de Coimbra, onde se dedicou à investigação durante alguns anos. Foi membro do GEFAC (Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra) e do grupo musical Diabo a Sete, tendo ainda integrado a companhia teatral Bonifrates. Trabalhou no CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear) em Genebra e concluiu o doutoramento em Ciência Aplicada ao Património Cultural em Florença. Em 2010 regressou a Portugal, onde exerce actividade de investigação na Universidade de Aveiro e é professor na Licenciatura em Conservação e Restauro na Universidade Portucalense do Porto. Começou por se dedicar à micronarrativa, tendo alguns dos seus contos sido publicados em colectâneas e revistas. Editou o seu primeiro romance, No Meu Peito não Cabem Pássaros, na Dom Quixote, em Junho de 2011.

 

Parabéns ao vencedor!"

 

 

 

 

 

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publicado por Mafalda Avelar às 18:45
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Saiba "como o Estado gasta no nosso dinheiro" (Carlos Moreno)
Carlos Moreno, juiz jubilado do Tribunal de Contas e autor de 'Como o Estado gasta o nosso dinheiro' é o convidado da 'Ideias em Estante'

Assista à vídeo-entrevista.
Como o Estado Gasta o Nosso Dinheiro

 

 

"Estamos no limite máximo do sacrifício tributário"

(publicado em 6 de Setembro de 2012)

 

Carlos Moreno, juiz jubilado do Tribunal de Contas e uma das 12 personalidades escutadas na comissão das PPP, diz que o Estado deve "explicar"a despesa pública.

 

"Estamos - e, em particular as classes médias, que trabalham por conta de outrem - no limite máximo do sacrifício tributário. Tem de haver algum alívio", defende Carlos Moreno. O juiz jubilado do Tribunal de contas acrescenta que "esse alívio só se pode encontrar com compensações na redução da despesa, na tributação do capital e, finalmente, se for necessária, numa renegociação (no bom sentido) dos objectivos do acordo feito com a 'troika'".

Convidado da "Ideias em Estante", que será transmitida hoje no ETV, Carlos Moreno alerta que "se Portugal voltar ao estado em que já esteve, de quase ruptura financeira, é mau para todos os portugueses, mas também será péssimo para os credores externos. Se matarmos os consumidores, os empresários e o crescimento da economia, não vamos pagar as dívidas", acrescentou o autor do livro "Como o Estado gasta o nosso dinheiro".

Para Carlos Moreno "o problema do Estado não está em gastar pior". "Hoje, o Estado não tem dinheiro para gastar. E não tendo dinheiro tem que ter uma definição muito precisa das necessidades sociais prioritárias". O autor, que foi a primeira das 12 personalidades chamadas à comissão de inquérito às Parcerias Público Privadas (PPP), considera prioritário, "recuperar a coesão social, a concertação social e amplificar o consenso político, porque foi o maior activo que Portugal apresentou aos credores".

Moreno refere ainda que "é evidente" que não se pode "massacrar com impostos sempre os mesmos" e frisa que há cortes na despesa pública que têm de ser feitos, quantificados e explicados aos portugueses. Por exemplo: "É preciso quantificar a despesa pública que, para o ano, vai ser feita com as PPP". Mas há mais: deve-se "quantificar o que o Estado pode poupar em rendas excessivas, nomeadamente aos produtores de energia. Tem também que se explicar quanto é que o Estado gasta em consultoria externa".

"Nada funciona na sociedade se não tivermos em conta o conhecimento e a realidade dos factos", frisa ainda Moreno. O corte das pensões é exemplo disso. "Hoje as classes médias e médias altas de pensionistas e reformados estão a desempenhar um papel de extraordinário relevo para a coesão social". É necessário, "ter em conta não só este papel, como o rendimento per capita real dos novos agregados familiares dos pensionistas e dos reformados", alerta. M.A.

 

 

 

 

 

 

 

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Sábado, 15 de Dezembro de 2012
"Basta!", de Camilo Lourenço

"Basta! - o que fazer para tirar a crise de Portugal" (Matéria -Prima), de Camilo Lourenço, é o livro em análise na "Ideias em Estante".

 

 

 

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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2012
Açores. "Temos hipótese de rentabilizar um grande activo”
Vídeo-entrevista disponível aqui
A importância da base das Lajes!

Livro em análise: "Lisboa, os Açores e a América" (Almedina), de José Filipe Pinto

 

 

 

"Portugal deve assumir-se como um país de articulação e fronteira"

 

AUTOR APRESENTA A IMPORTÂNCIA DA BASE DAS LAJES PARA A DEFESA NORTE-AMERICANA. E FALA, LÊ-SE NAS ENTRELINHAS, DE UMA CERTA MIOPIA EM RELAÇÃO A ESTE TEMA, QUE É ESTRATÉGICO PARA PORTUGAL.

 

É um dos assuntos nacionais do momento. A diminuição da presença norte-americana na base das Lajes , nos Açores. Em momento oportuno, José Filipe Pinto, professor catedrático da Universidade Lusófona, lança a obra " Lisboa, os Açores e a América". Um livro que merece a pena ser lido para um melhor entendimento deste precioso triângulo. Em entrevista, o autor afirma que Portugal necessita de elaborar um "conceito estratégico nacional". Leia abaixo algumas respostas do autor, que é o convidado da " Ideias em Estante ", que será emitida na próxima semana.

 

Diminuição da presença Americana nas Lajes . Como vê esta situação?

Vejo esta diminuição como um facto perfeitamente previsível e que, para mal dos trabalhadores portugueses da base e para a economia da Ilha Terceira, não foi devidamente acautelado do lado português.

Era uma decisão previsível porque os norte-americanos - que vieram para os Açores, "without any rental provision" - têm um longo historial de tentativas de desvalorização da importância estratégica da Base das Lajes , como forma de fragilizar a posição negocial por parte de Portugal.

Como Portugal não soube tirar partido do activo de que dispõe e fez dos empregos - directos e indirectos - na base a principal razão do Acordo, os EUA podem poupar verbas do seu Orçamento da Defesa e continuar a usufruir da base lançando para o desemprego uma mão-de-obra que a economia local não vai conseguir absorver.

 

Qual a importância do triângulo: Lisboa, Açores e América?

Este triângulo é muito importante para a segurança do Atlântico Norte, da América do Norte e da União Europeia numa conjuntura em que a subida aos extremos deixou de ser monopólio dos Estados que se vêem desafiados por poderes erráticos e que movimentam verbas muito elevadas.

Numa altura em que discute a inevitabilidade da criação de uma SATO ou de uma ATO para garantir a segurança em todo o Atlântico, este triângulo assume uma importância ainda maior devido à condição simultaneamente europeia e lusófona de Portugal.

Como é que Portugal pode tirar partido da nossa situação geográfica?

Na actualidade, Portugal, para além da fronteira geográfica, praticamente convertida em mero apontamento administrativo, dispõe de uma fronteira de segurança - a NATO -, de uma fronteira cultural - a CPLP - e de uma fronteira político-económica - a União Europeia.

Face a esta multiplicidade de fronteiras, Portugal deve assumir-se como um país de articulação e fronteira entre os vários espaços a que pertence.

Afinal, da nossa língua vê-se o mar e a terra para cujo desenvolvimento a nossa diáspora tanto contribui.

 

E hoje o que pode Portugal fazer para valorizar o seu activo estratégico?

Portugal necessita de elaborar um conceito estratégico nacional - o eixo da roda de Adriano Moreira - que defina o papel de Portugal no Mundo. Trata-se de um projecto que não pode ser de um Governo, mas de um Povo e, como tal, é urgente o debate colectivo sobre o país que queremos e que estamos em condições de construir. Um conceito estratégico nacional que, mais do que colocar a esperança num rei vencido, assente na certeza de que é possível limitar a condição exógena sem cair em isolacionismos redutores e impossíveis.

 

" Base das Lajes : jogos de poder ou rapina de soberania?". Qual a razão para a escolha deste subtítulo?

A escolha do subtítulo resulta de dois factores primeiro tem a ver com a circunstância de a obra se inserir no âmbito da Ciência Política e das Relações Internacionais, áreas onde as noções de "poder" e "soberania" são fundamentais. A circunstância de tanto os Açores como os Estados Unidos da América terem como símbolos duas aves de rapina ajudou à ligação dos conceitos.

O segundo prende-se com a pertinência de explicar a forma como Portugal não tem sabido rentabilizar a Base das Lajes . Por isso, a obra procura saber se este subaproveitamento é resultado de culpa própria ou de uma atitude imposta pela superpotência norte-americana. Daí a forma interrogativa.

 

(Este texto foi publicado na "Ideias em Estante" (DE) a 30/11/2012)






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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2012
"A Igreja tem um papel fundamental" afirma o autor do livro "que levou o mordomo de Bento XVI a tribunal"

TRÊS PERGUNTAS A...GIANLUIGI NUZZI

 

"A Igreja tem um papel fundamental"

 

Gianluigui Nuzzi, jornalista e autor de "Sua Santidade" (Bertrand), esteve o fim- de -semana passado em Lisboa. Leia as três questões colocadas ao autor do livro "que levou o mordomo de Bento XVI a tribunal."

 

"VatiLeaks": qual é a importância deste escândalo e qual o impacto que teve no pontificado de Bento XVI e na imagem do Vaticano?

Pela primeira vez podemos conhecer as relações entre o Vaticano e os outros Estados, os escândalos, os conflitos e as conspirações que se desenrolam nos palácios sagrados, a posição de Bento XVI perante questões atormentadas, tais como os Legionários de Cristo, os lefebvrianos e a Shoah, graças aos próprios documentos do Vaticano, muitos dos quais foram assinados ou revistos pelo Papa. É uma história sem antecedentes e foi por isso que levantou tantas polémicas. A imagem da Cúria Romana sai enfraquecida pelos conflitos, interesses e pela busca do poder. Sobretudo, destaca-se de forma forte e documentada a distância entre a Igreja dos católicos e a Igreja do poder do Vaticano.

 

Como vê a transformação da Igreja?

Julgo que Bento XVI ficou entrincheirado nos seus gabinetes, na sua visão dogmática da Fé, embora tenha levado a cabo a revolução purificadora que até os críticos lhe atribuem. A transformação da Igreja dos palácios sagrados em palácios de cristal é lenta mas inexorável. Viu-se bem nas Finanças: outrora havia o IOR, o banco dos segredos de Wojtyla, o único banco presente no Vaticano, com balancete, actividades e titulares de contas completamente secretos. Hoje em dia existem iniciativas destinadas a alcançar a transparência e a evitar situações de lavagem de dinheiro. Ainda é cedo para se saber se o Bem triunfará, ou o Mal.

 

Na sua opinião, qual é o papel da Igreja - e da Fé - no mundo ocidental em crise?

A Igreja tem um papel fundamental que porém, inevitavelmente, vai enfraquecendo. A própria Igreja vive uma crise: as vocações diminuem, as oferendas reduzem-se. Tal como relato no livro, tem razão o antigo Presidente do IOR, Ettore Gotti Tedeschi quando observa, em alguns relatórios secretos, que os países católicos ricos estão numa crise profunda em prol de países como China e Índia, ainda por evangelizar.

 

(Artigo publicado na "Ideias em Estante", coluna da autoria da jornalista Mafalda de Avelar. Esta coluna é publicada às 6f no DE)

 

Leia o resto da coluna:

 

 

 

Livro sobre ExxonMobil vence FT/Goldman Sachs

 

"MELHOR LIVRO DE ECONOMIA DO ANO" É SOBRE UMA EMPRESA. AS BIOGRAFIAS, AS EMOÇÕES E "O QUE O DINHEIRO NÃO PODE COMPRAR" SÃO OUTROS DESTAQUES

 

"Private Empire - ExxonMobil e o poder americano", de Steve Coll, é o grande vencedor do prémio "Best Business Book of the Year", atribuído pelo jornal britânico Financial Times e pela Goldman Sachs. Nesta obra, de 700 páginas, Steve Coll apresenta uma autêntica biografia de uma companhia. ExxonMobil é apresentada como a empresa que está "em todas". Com uma escrita muito fluída, Coll, que é autor de "Ghost Wars" e "The Bin Ladens", prova uma vez mais a sua arte para a investigação.

O autor inicia a obra relatando o acidente do petroleiro "Exxon Valdez". Percorre "litros" de histórias e mostra o poder da ExxonMobil em vários pontos do globo. Nomeadamente em Washigton DC. Acaba, como começa, relatando casos polémicos.

Na oitava edição deste prémio, que foi entregue no passado dia 2 de Novembro, em Nova Iorque, as outras cinco obras seleccionadas foram "The Hour Between Dog and Wolf: Risk-taking, Gut Feelings and the Biology of Boom and Bust", de John M. Coates; "Steve Jobs: The Exclusive Biography", de Walter Isaacson, que tem edição em Portugal, pela editora Objectiva; "Volcker: The Triumph of Persistence", de William L. Silber; "What Money Can't Buy: The Moral Limits Of Markets", de Michael J. Sandel; "Why Nations Fail: The Origins of Power, Prosperity and Poverty", de Daron Acemoglu e James A. Robinson.

Segundo declarações de Lionel Barber, editor do Financial Times, esta é a lista mais forte deste prémio, em termos de qualidade, desde que o mesmo foi lançado (em 2005).

Nesta edição, de destacar o facto de existirem na 'shortlist' duas biografias de peso: a de Steve Jobs e a de Volcker. Esta última constitui uma boa leitura para quem quer entender a dinâmica entre as políticas fiscal e monetária. Paul A. Volcker foi presidente da Reserva Federal americana de 1979 a 1987. Foi ainda presidente do conselho de recuperação económica norte-americano entre 2009 e 2011.

Não menos importante, de destacar também - e à semelhança do que aconteceu nas três últimas edições - a importância que está a ser dada no mercado editorial, em geral, e no económico, em particular, ao factor humano. O impacto da variável H ( Humana) na equação económica nunca foi tão valorizado.

Prova disso é o fantástico livro "The Hour between Dog and Wolf", de John Coates, que mostra como a biologia humana pode - e deve - ser aplicada ao sistema económico. Por exemplo, qual a relação entre a testosterona, o sucesso e medo do risco? Tudo questões pertinentes e muito curiosas. Outro título bastante interessante é "What Money Can´t Buy", de Michael Sandel.

Em suma: livros e mais livros sobre temas económicos, que mostram como a ciência económica está a ser alargada.

 

 

 

 

 

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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2012
Livro sobre ExxonMobil vence FT/Goldman Sachs

 

Livro sobre ExxonMobil vence FT/Goldman Sachs

por Mafalda de Avelar in "Ideias em Estante"

 

"MELHOR LIVRO DE ECONOMIA DO ANO" É SOBRE UMA EMPRESA. AS BIOGRAFIAS, AS EMOÇÕES E "O QUE O DINHEIRO NÃO PODE COMPRAR" SÃO OUTROS DESTAQUES

 

"Private Empire - ExxonMobil e o poder americano", de Steve Coll, é o grande vencedor do prémio "Best Business Book of the Year", atribuído pelo jornal britânico Financial Times e pela Goldman Sachs . Nesta obra, de 700 páginas, Steve Coll apresenta uma autêntica biografia de uma companhia. ExxonMobil é apresentada como a empresa que está "em todas". Com uma escrita muito fluída, Coll, que é autor de "Ghost Wars" e "The Bin Ladens", prova uma vez mais a sua arte para a investigação.

 

O autor inicia a obra relatando o acidente do petroleiro "Exxon Valdez". Percorre "litros" de histórias e mostra o poder da ExxonMobil em vários pontos do globo. Nomeadamente em Washigton DC. Acaba, como começa, relatando casos polémicos.

Na oitava edição deste prémio, que foi entregue no passado dia 2 de Novembro, em Nova Iorque, as outras cinco obras seleccionadas foram "The Hour Between Dog and Wolf: Risk-taking, Gut Feelings and the Biology of Boom and Bust", de John M. Coates; "Steve Jobs: The Exclusive Biography", de Walter Isaacson, que tem edição em Portugal, pela editora Objectiva; "Volcker: The Triumph of Persistence", de William L. Silber; "What Money Can't Buy: The Moral Limits Of Markets", de Michael J. Sandel; "Why Nations Fail: The Origins of Power, Prosperity and Poverty", de Daron Acemoglu e James A. Robinson.

 

Segundo declarações de Lionel Barber, editor do Financial Times, esta é a lista mais forte deste prémio, em termos de qualidade, desde que o mesmo foi lançado (em 2005).

 

Nesta edição, de destacar o facto de existirem na 'shortlist' duas biografias de peso: a de Steve Jobs e a de Volcker. Esta última constitui uma boa leitura para quem quer entender a dinâmica entre as políticas fiscal e monetária. Paul A. Volcker foi presidente da Reserva Federal americana de 1979 a 1987. Foi ainda presidente do conselho de recuperação económica norte-americano entre 2009 e 2011.

Não menos importante, de destacar também - e à semelhança do que aconteceu nas três últimas edições - a importância que está a ser dada no mercado editorial, em geral, e no económico, em particular, ao factor humano. O impacto da variável H ( Humana) na equação económica nunca foi tão valorizado.

 

Prova disso é o fantástico livro "The Hour between Dog and Wolf", de John Coates, que mostra como a biologia humana pode - e deve - ser aplicada ao sistema económico. Por exemplo, qual a relação entre a testosterona, o sucesso e medo do risco? Tudo questões pertinentes e muito curiosas. Outro título bastante interessante é "What Money Can´t Buy", de Michael Sandel.

Em suma: livros e mais livros sobre temas económicos, que mostram como a ciência económica está a ser alargada.

 

(Publicado, hoje, na Ideias em Estante, no DE)

 

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TOP Económico

26 de Novembro a 2 de Dezembro

 

1

Basta! O que fazer para tirar a crise de Portugal

Camilo Lourenço/Matéria-Prima

 

2

As contas politicamente incorrectas da Economia Portuguesa

Ricardo Arroja/Guerra &Paz

 

3

Os 11 elementos da Motivação

Oliver Rohrich/Lidel

 

4

O Banco - Como a Goldman Sachs dirige o Mundo

Marc Roche/Esfera dos Livros

 

5

Ganhar com apostas desportivas

Paulo Rebelo/Marcador

 

6

Acabem com esta crise já!

Paul Krugman/Presença

 

7

O Livro das Decisões

Mikael e Roman Tscha/Marcador

 

8

Steve Jobs

Walter Isaacson/Objectiva

 

 

9

Criar Modelos de Negócios

Alexander e Yver Osterwalder/Dom Quixote

 

 

10

Resgatados

David Dinis e Hugo F. Coelho/Esfera dos Livros

 

 

 

 

 

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