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Sexta-feira, 20 de Abril de 2012
Até quando vai ficar parado?

Até quando vai ficar parado?


"VIVER SEM CHEFE" é o 'bestseller' numa altura em que o desemprego é recorde e as alternativas ao trabalho tradicional são cada vez mais procuradas.


Já alguma vez deu por si a desesperar com o seu chefe? A não se identificar com os valores de quem coordena o seu trabalho? A pensar "o que é que eu estou aqui a fazer?" E pior, a ver atitudes desumanas por parte de quem devia dar o exemplo - mais do que não seja para motivar e para não criar sentimentos de "injustiça" e de "desconfiança"? Se sim, este livro "Viver sem Chefe - Trabalhar de forma independente" é para si. Mas não só. Este livro é também para todos aqueles que têm ideias empreendedoras mas não sabem como as desenvolver. Às vezes os projectos estão quase a acontecer mas por um pequeno "se" não seguem em frente. Porquê? Muitas vezes por falta de informação. Por outras, porque existe falta de coragem para dar o 'click' necessário à mudança. (Caro leitor, permita-me que acrescente que muitas vezes, ainda, e hoje cada vez em maior número, porque não existe capital inicial… mas essa é outra, importante, conversa, que não constitui o tema central deste livro).

 

Sobre este livro, que representa um lufada optimista no mundo do empreendedorismo e das relações profissionais, duas observações.

Primeiro: esta obra, do jovem espanhol Sérgio Fernández, representa uma agradável leitura e prova que vencer pode estar aqui mesmo ao lado. Acresce a isso o facto de ser uma obra que motiva e que ajuda a "organizar" as ideias - e a potenciar, assim, futuros negócios. Até quando vai ficar parado?

Neste manual pode exercitar algumas técnicas de coaching; e encontra ainda reflexões pessoais e muitos "dos erros a evitar" no mundo da gestão.

Em segundo lugar, e do ponto vista de marketing, este livro é muito oportuno. E não é a toa, portanto, que este está no topo dos livros mais vendidos em Portugal e em Espanha, país onde é mesmo uma das obras mais vendidas de sempre sobre o tema.

Numa Europa em crise - e, com percentagens de desemprego recordes - este livro surge, para uns, como uma alternativa; para outros, como a única saída perante a adversidade do desemprego.

 

Como escreve o autor, "É obvio que algo está a falhar quando, só em Espanha, oito em cada dez profissionais se sentem insatisfeitos no trabalho, quando 59 por cento dos sonhos empresariais de tantas pessoas falham no primeiro ano e 85 por cento não ultrapassa os cinco anos…". Mesmo assim, é preciso coragem, visão e sobretudo determinação para organizar saídas possíveis e desejáveis.

Num mundo ocidental, onde o desemprego é a palavra de ordem e onde os trabalhadores por conta de outrem estão tendencialmente insatisfeitos, é preciso mudança. Mais do que não seja para criar emprego e para assegurar que os locais de trabalho não se transformam, gradualmente, em selvas, onde os animais menos saudáveis tomam de assalto gentes sãs. Trabalhadores, que orientados para o bem e para o progresso, não entendem como é que comportamentos menos "amigáveis" (para não lhes chamar "menos sérios" ou "hipócritas") coabitam com sorrisos, beijinhos e abraços. Por tudo isso, também, há que pensar em alternativas de vida. Claro está, caso existam!

 

( Publicado na "Ideias em Estante" dia 20 de Abril de 2012)






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publicado por Mafalda Avelar às 11:50
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Terça-feira, 17 de Abril de 2012
Psicologia Positiva. Michael Steger e Ruut Veenhoven em aula aberta na UTL

Ela está aí. Falo-lhe da psicologia positiva. Ou seja da forma de encarar a vida pelo bem - através do bom prisma. Do bom ângulo.

Não é díficil. E vai ver que no final do dia é bem melhor para si e para todos os que o rodeiam.

 

Sugestão: aula aberta com os Professores Michael Steger e Ruut Veenhoven(Psicologia Positiva).

http://www.iscsp.utl.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1137:professores-michael-steger-e-ruut-veenhoven-em-aula-aberta-psicologia-positiva&catid=158:eventos&Itemid=418

 

 

Outro posts relacionado com o tema aqui.

 

(http://livrosemanias.economico.sapo.pt/14276.html)

 

 

 

 

 

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publicado por Mafalda Avelar às 22:00
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2012
Porque chegámos a este estado? Paulo Trigo Pereira explica.


Paulo Trigo Pereira, autor de “Portugal: Dívida Pública e Défice Democrático”, explica o actual estado do País e estabelece relação entre os problemas das finanças públicas e a qualidade da democracia.

 

 

Porque chegámos ao ponto a que chegámos de insustentabilidade das finanças públicas e de necessidade de impor sacrifícios acrescidos aos portugueses? Porque tendem as democracias a produzir défices e que reformas de natureza institucional são necessárias? “O principal objectivo deste ensaio é dar resposta a (estas) duas questões”, ambiciona, na nota introdutória, Paulo Trigo Pereira, autor de “Portugal: Dívida Pública e Défice Democrático”.

E consegue. De leitura fácil e repleto de dados económico interessantes, neste livro, cujo argumento central é de que “os problemas das finanças públicas derivam de fraca qualidade da democracia”, encontramos explicações para a actual situação económica. Leia abaixo a entrevista ao autor, que foi publicada hoje no DE.

 

De notar que por lapso de edição a entrevista foi publicada com dois erros. A saber: uma pergunta repetida e uma resposta colocada no lugar errado. Apresento, assim, em nome do DE as nossas desculpas ao autor e aos leitores.

 

Junto publico a versão na íntegra.

 

 

Porque tendem as democracias a produzir défices?

Há várias razões. Primeiro, porque os cidadãos não estão geralmente bem informados e tendem a premiar políticos que descem, ou não sobem, impostos e agrada-lhes quem faz "obra". Isto é, aumenta a despesa, sem verem a conexão directa com a despesa pública. Depois porque, sem limites ao endividamento (em qualidade e quantidade), as gerações presentes impõem um ónus às gerações futuras, que ainda não estão cá, ou ainda não têm idade, para votar. Finalmente, porque a democracia assenta demasiado na competição política, não havendo grandes incentivos para a cooperação que, em certas reformas estruturais, é crucial.


Até que ponto é que a democracia está relacionada com o desenvolvimento económico; e vice-versa?

Há certos tipos de democracia que são obstáculos ao desenvolvimento económico, mesmo em países desenvolvidos. Quando o Estado é caracterizado por um corporativismo social, com grupos de interesse e lóbis enraizados defendendo interesses particularistas, contra o interesse geral, aqui não existe desenvolvimento. A sociedade em vez de ter incentivos que promovem o desenvolvimento, a criação de riqueza e a redistribuição generalista para os mais carenciados promove, pelo contrário, estratégias rentistas e redistributivas de satisfação de clientelas com poder de influência.

No caso Português: será que corremos o risco de ficarmos menos desenvolvidos com tantas medidas de austeridade? Se sim, será que nos podemos tornar, a médio e longo prazo, num País mais desigual e menos democrático?

Devemos distinguir “austeridade”(por exemplo corte de salários) de “consolidação orçamental” (redução de défice e dívida), pelo que pode haver consolidação, que é essencial, com mais ou menos austeridade. Só por si, a consolidação não leva a maior desigualdade e menor democracia. Depende da forma como for feita.

 

Se tiver que enumerar cinco variáveis “responsáveis” pela actual situação da nossa dívida pública, essas são?

Escolho duas económicas, uma “cultural” e duas políticas. Desorçamentação (saída de organismos dos orçamentos das administrações públicas), Parcerias público-privadas particularmente no sector rodoviário, a “cultura” do défice natural, eterno e virtuoso, o sistema eleitoral (fechado e bloqueado), e o financiamento dos Partidos Políticos, sem consignação de verbas a grupos de estudo internos.

Factor humano. Até que ponto a variável humana tem peso no estudo da nossa situação económica?

A qualificação das pessoas é essencial. As Universidades necessitam de um “choque de mobilidade” do seu corpo docente, para melhorar a sua qualificação e através dela dos seus alunos. Ao fim de cinco anos, todos os doutorados deveriam ser obrigados a concorrer a outra escola. Os Politécnicos ganhariam com maior qualificação do seu corpo docente. A formação de quadros na Administração deveria ser de qualidade, o contrário do que está a acontecer com a extinção do Instituto Nacional de Administração (INA).

Numa perspectiva económica, o Fado português tem um traçado cíclico?

Temos tido um fado cíclico, mas desta vez a crise vai ser mais duradoura pois não dispomos de instrumento cambial. Aos cidadãos pede-se capacidade de resiliência, cabendo aos políticos a mudança de paradigma na forma de fazer política e de gerir as finanças públicas. Porque se não o fizerem os cidadãos saberão, legitimamente, encontrar uma resposta convincente, não sei se a mais adequada...

Haverá mesmo uma solução para o problema da dívida pública?

Há sempre soluções para os problemas, elas podem ser é mais ou menos dolorosas. Se caminharmos decididamente, e em ritmo adequado para o equilíbrio orçamental nos próximos anos, não descurando as medidas que promovam o crescimento económico, manter-nos-emos nos seio da União com o euro. Estou convicto que haverá, a médio prazo, uma solução mais global para o problema da dívida para os países que, no curto prazo, tenham uma atitude responsável em relação às suas finanças públicas. Esta é, apesar de tudo, a solução menos dolorosa.

 

Acredita que os sacrifícios pedidos aos portugueses valerão a pena?

Nem todos os actuais sacrifícios são necessários, pois há escolhas que este governo fez e com as quais discordo, por não serem universais e equitativas. Trata-se de opções governamentais e não de necessidades. Mas parte dos sacrifícios são necessários, e não só não temos uma alternativa como há já alguns resultados positivos desta perca parcial de soberania. Enterrámos alguns projectos megalómanos e estamos a aumentar a transparência da Res Pública, isto é da coisa pública que é financiada por todos nós. Estamos mais pobres, mas porventura mais solidários e decerto mais atentos ao que se passa nesta nossa casa comum chamada Portugal.

 

 

 

Nota final sobre o livro: boa leitura, relevantes dados económicos e bom preço (3,5 euros).  






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publicado por Mafalda Avelar às 19:04
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